"Sinto saudades de ser criança" - pensei comigo mesmo - mas não aquela saudade forçada que se vê nos livros que procuram retratar de forma poética os tempos de Dennis, o Pimentinha de seus respectivos escritores - mas sim uma vontade sincera de ter de novo a mesma alegria, certeza, fonte inabalável de força de quando eu era mais novo. Eu costumava ter tanta certeza de tudo que eu queria fazer, tudo que eu ia falar e como eu ia fazer pra fazer alguma coisa... é estranho... eu era ligado mais em mim e no 220v. Sem contar na Juliana :P
Energia era a palavra em questão! Energia... eu tinha mais energia, eu era mais enérgico eu era mais intenso, eu era mais vivo, mais ligado, eu tinha me colocado no mundo... eu tinha um lugar meu! Eu tinha um lugar meu!
E hoje eu tenho? Tenho eu? Há algum lugar nesse mundo feito pra mim?
Bom, em partes, e começando por partes digo que até há sim... mas também existem carências as quais preciso muito suprir, e elas têm me consumido!
Não há lugar pra mim em minha atual residência - e quando eu falo isso não me refiro apenas ao espaço físico insuficiente do apartamento de 70m² no qual habito momentaneamente - mas também (já que o espaço físico é deveras pequeno) me refiro ao sentimento. Não há família. Família é uma instituição falida, se não ruiu, vai ruir. Mas os pais, grandes saudosistas e precursores da já citada instituição familiar decadente insistem em não só não perceber isso como em teimosear que tudo está bem, afinal tudo é uma questão de aparências, e as aparências estão indo bem.
O problema é que as aparências corroem como a ferrugem a alma das pessoas e abrem feridas que não podem ser fechadas facilmente, e colocam sal todos os dias, e futucam forte, para que se doa todos os dias, para que se sinta saudade da dor quando ela não veio por algum motivo....
Não há lugar pra mim quando penso no meu trabalho... Eu tenho maus pressentimentos e tenho também procurado alternativas e nada é animador... nada parece realmente me tirar da lama. Nada parece me ajudar o suficiente, mas tô levando.
As músicas se confundem, a do computador mistura com a da tevê e eu estou ficando farto...
Há lugar pra mim no amor... ah! o amor. Sentimento arrebatador que preenche, anima e inspira esses pequenos momentos de êxtase, onde penso ter mudado de dimensão, de volta pra quando era criança...
E nesses momentos, nesses pequenos momentos, eu começo a andar saltitando pela rua seguindo o ritmo, cantarolando a melodia da música alegre a qual estou ouvindo e sendo fitado pelas velhinhas na rua, com seus rostos tristes e amargurados...
keep walking... essa é talvez a frase de efeito que me caiba nesses dias, meses, no ano inteiro de 2008!
Um comentário:
como alguém pode sentir saudades de ser criança?
crianças são:
- virgens;
- inexperientes;
- não sabem que é Louis Ridge;
- limitadas;
- dependentes;
- chatas; e, principalmente,
- não-vulgares!!!
Viva a vulgaridade!
.................gone with the wind
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